Família: a base de tudo

Família: a base de tudo

Um comentário feito pelo Gilberto Dimenstein em sua coluna na CBN no começo da semana chamou a minha atenção. Ele falou sobre um grupo de americanos que, em parceria com pesquisadores da Universidade de Harvard, iniciou um projeto piloto com 15 famílias – The Family Dinner Project.

A informação está no Catraca Livre e o texto explica que a ideia é “resgatar os tradicionais jantares em família, unindo comida saudável com convívio de qualidade dentro de casa (…) com a proposta de ultrapassar os desafios do dia-a-dia, como a falta de tempo e o cansaço, para sentar pais e filhos em torno da mesa sem nenhuma das milhares de distrações do mundo moderno. Celulares, TVs, tablets e qualquer outra tecnologia que não promova a interação entre os parentes é proibida”.

De acordo com um estudo da Universidade de Columbia (EUA), “adolescentes que fazem menos de três refeições em família por semana têm quase duas vezes mais chances de se tornarem fumantes, abusar de substâncias químicas e se tornarem usuários de maconha do que adolescentes que jantam em família cinco vezes por semana”. Um dos pesquisadores, Joseph A. Califano Jr, afirma que “o engajamento dos pais em torno dos jantares pode ser uma potente arma a favor da saúde das crianças”.

Considero a iniciativa mais do que louvável porque hoje as pessoas estão debaixo do mesmo teto, mas não convivem, não se conversam – me refiro a conversar mesmo e não à troca de diálogos simplesmente funcionais –, e ficam cada qual em seu mundinho, já que todos – a grande maioria — possuem suas TVs, celulares e computadores que os isolam dos demais.

No entanto, esse estudo reflete nada mais do que o óbvio. A família é a base de qualquer ser humano e quando se fala de porto seguro, ela de fato o é. Infelizmente, muitos pais terceirizam o cuidado de seus filhos à babá, à empregada, à escola, à televisão, dedicando-se ao trabalho, pois consideram que o mais importante é dar todos os recursos materiais de que precisam. Mas se esquecem que antes disso deve vir o apoio emocional, a presença, o contato, o tempo de qualidade juntos.

Há inúmeros estudos e matérias que abordam a importância disso. Lembro da iniciativa de hospitais que, para auxiliar no desenvolvimento de bebês prematuros, os pais devem passar um tempo com o filho no colo, apoiado em seu peito – pai canguru. Algo simples, mas que tem trazido resultados quando comparado àqueles que não passam pela mesma experiência.

Sempre que posso, assisto o programa The Nanny, que passa num canal fechado. Cada vez me impressiono mais com os casos que vejo. Crianças desde pequenas que desobedecem e desrespeitam seus pais. Estes, por sua vez, se descontrolam, não sabem mais o que fazer e imploram por ajuda. É nítido que, se chegam a esse ponto, muitas vezes, a razão é a falta de atenção ou o cumprimento de todas as exigências dos filhos e uma vida em função deles.

Crianças aprendem por imitação. Aquelas que veem amor, carinho e respeito com que seus pais se tratam certamente seguirão o exemplo.

Ainda não tenho filhos, mas o combinado entre o meu marido e eu é que continuaremos a nos tratar como temos feito desde a época em que namorávamos. Queremos ser exemplo para eles. Queremos que a nossa filha não deseje se envolver com alguém que não faça nada menos do que o pai dela faz pela mãe. E o mesmo com o nosso filho. Queremos que eles vejam em nós os melhores amigos que poderão ter, alguém em quem possam confiar de verdade, alguém para quem possam correr quando não souberem para onde ir, alguém em quem poderão encostar no ombro e chorar, alguém em quem tenham palavras de conforto, mas jamais alguém que apenas passe a mão na cabeça e, sim, alguém que possa indicar o caminho certo a seguir.

Se desde pequenos eles aprenderem isso, certamente as chances de se tornarem fumantes, abusarem de substâncias químicas e se tornarem usuários de maconha, como diz o estudo, reduzirá a 0,000001%.

Uma agradável surpresa musical no metrô

Uma agradável surpresa musical no metrô

Ao passar pela estação Paraíso do metrô, em São Paulo, fui fisgada pelo som que vinha de um piano. Não importa o ritmo que esteja sendo tocado, sou apaixonada por este instrumento. Como não tinha pressa para voltar para casa, parei e fiquei admirando aquele menino tocar. Além de mim, o irmão, a mãe e mais um rapaz.

Os dedos, muito ágeis, deslizavam de um lado a outro pelo teclado enquanto ele executava uma música clássica. E, de fato, não era uma peça das mais fáceis. Como ele consegue decorar tudo isso? (“male-male” eu consigo decorar a sequência de quatro acordes que eu já toquei um monte de vezes! Se bem que até hoje eu ainda lembro de “Jesus, alegria dos homens”…)

Apesar da vergonha — e do nervosismo –, sob os olhares de quem é excelente, ainda arrisquei uma música. Tremi, suei, errei, mas saiu. Desculpei-me pelos erros, agradeci e fui embora. Lá embaixo, já na plataforma, o texto para este post estava pronto na cabeça. Mas eu precisava saber mais sobre aquele menino, que estava tocando de novo. Mesmo não tendo trabalhado em redação, jornalista que é jornalista sempre sabe quando há uma boa história para contar. Não pensei duas vezes e voltei.

Aquele menino é o Bruno Bologna, de apenas 15 anos. Para a minha surpresa, faz só – SÓ! –, quatro anos que ele começou a tocar. A mãe, Elisângela, cheia de orgulho e brilho nos olhos, conta que ele já ganhou vários concursos. Depois do que vi, não devem ter sido poucos!

Convenhamos, não é nada comum um adolescente gostar tanto assim de instrumento como piano. Então, de onde veio isso? “A minha avó tinha um piano na casa dela. Quando eu ia lá ficava mexendo e sempre quis aprender”. A mãe completa: “eu achava que não tinha nada a ver. Imagine! Comprar um piano? Pra quê?”.

Ainda bem que ela investiu no filho! Após um ano e meio na Escola Municipal, o Bruno “se encheu” e agora faz aulas particulares a cada 15 dias (boquiaberta novamente). Perguntei quanto tempo ele costuma estudar por dia: “ah… depende!”. Cutuquei para saber uma média, pelo menos. “Não é muito… uma hora e meia” (quem dera se eu tivesse esse tempo todo!).

O irmão, Breno, acompanhava a conversa. Não resisti e quis saber dele também. Quando retornei, Bruno e a mãe insistiam para que ele cantasse. Ele cedeu. E eu fiquei passada – de novo!  A música que ele cantou? Rolling in the deep, da Adele. A mãe se apressou em dizer que “ele gosta muito de músicas italianas e nunca fez aula”. Só de guitarra, por dois anos. Mas o negócio dele mesmo é cantar.

A veia musical não é à toa. Além da avó, que é pianista, eles são sobrinhos do guitarrista Eduardo Bologna, instrumentista conhecido no meio musical. Infelizmente a nossa conversa foi interrompida por um telefonema de alguém que os esperava.

Não sei se um dia vou voltar a vê-los. Mas se o Bruno optar pela carreira musical e eu ouvir falar dele, vou me lembrar do privilégio que foi aquele pequeno espetáculo particular, num sábado à tarde, no metrô de São Paulo.

Graças a Deus, nasci homem!

Graças a Deus, nasci homem!

A essa hora, quase onze da noite, definitivamente eu não estava pensando em escrever esse post.  Mas em vista do que acabou de acontecer, não tive escolha!

Há pouco, sentei confortavelmente no sofá para comer. Peguei o controle remoto, fui ver o que tinha de interessante passando e acabei parando no GNT. Tinha acabado de começar o Superbonita. Como era o primeiro que eu via com a Sandy apresentando, parei para assistir (prefiro a Luana Piovani). Ainda me desculpei com o meu marido (“é só meia horinha de programa, vai?”), afinal que homem gosta de ver programa de beleza? Não poderia ter sido mais hilário!

O assunto de hoje era cuidado com as mãos e pés e a produção levou uma moça para um SPA de mãos.

– O que é aquilo?
– É uma luvinha de silicone.

Silêncio.

O programa continua e a Nívea Stelman dá dicas para relaxar os pés. “Chegar em casa e colocar os pés para cima é muito bom! Mas fazer um escalda-pés também é uma delícia…”

– Escalda-pés?

– É. Escalda-pés.

– O que é isso?

– É quando você coloca água quente em uma bacia e coloca os pés dentro para relaxar. Pode colocar sais na água, algum produto que ajude a hidratar ou fazer salmoura mesmo.

E a Nívea, na TV: “… mas bom mesmo é uma massagem! Reflexologia…”

–Reflexologia?
– É, quando massageia alguns pontos nos pés que correspondem a alguma parte do corpo.
– Aquilo que você faz em mim?
– É!
– Sabe o que relaxa mesmo o pé? Chegar em casa, tomar um bom banho, deitar na cama e dormir! Relaxa que é uma beleza!

No bloco seguinte, é a vez de uma mulher passar por uma “transformação”, fazendo cabelo e maquiagem. Para finalizar o penteado, o cabeleireiro usa uma cera em pó para dar volume no cabelo. “Que interessante… cera em pó eu não conhecia.”

A etapa seguinte é a da maquiagem. “Está vendo? O certo é praticamente só usar pincel. Em casa a gente faz tudo errado.” Corretivo, base, pó, lápis, sombra, rímel, blush, batom…

– Mas você não usa tudo isso.
– Não, uso o básico.
– E por que você não usa?
– Porque eu não tenho tempo, não tenho todos aqueles produtos e o lugar onde trabalho não condiz.
– Hum…

Etapa 1 da transformação concluída.

– Nossa! Que diferença, hein? Ela estava feinha!
– E essa é só a maquiagem para o dia. Você ainda vai ver como fica a de noite.
– Como assim a de noite?
– A que ela vai usar à noite.
– Mas tem mais? O cara passou um monte de coisa e ainda tem mais?
– Tem.

Enquanto o cabeleireiro maquia a moça, vai explicando o que fazer, como fazer, que cor usar de que jeito e aonde. Em seguida, ele dá umas dicas para combinar a maquiagem e a cor do esmalte. Se a maquiagem estiver mais forte, usar uma cor clarinha; se for mais suave, pode usar um esmalte escuro.

– Mas é muita informação! Já não sei mais o que tem que combinar!

A maquiagem está quase terminando, quando escuto:

– Nossa, o que ele fez? Parece que ela tem duas sobrancelhas!
– Não parece, não.
– Ah, parece sim! Olha lá o outro risco!

Para finalizar, cílios postiços.

– O que ele está fazendo?
– Colocando cílios postiços.
– Cílios postiços? Ah, não! Isso eu nunca vi! Pra quê isso?
– Para alongar e ficar mais bonito.

E o programa termina.

– O programa já acabou e eu não guardei metade das coisas! É informação demais! Como vocês conseguem? Aquele monte de coisa para passar no rosto, várias cores, nem sei o que é que tem que passar, escalda-pés, reflexologia…

Então ergue as mãos, olha pra cima e diz:

– Senhor, muito obrigado porque eu nasci homem! É tudo muito mais fácil!

Fiz arte na cozinha!

Fiz arte na cozinha!

Ontem quando fui colocar uma garrafa pet com o restante do lixo reciclável que separei, parei e fiquei pensando que eu poderia fazer alguma coisa com ela. Mas o quê? E foi assim que ouvi um “plim”!

A situação era esta, desde que eu me mudei, há alguns meses:

Infelizmente a peça que está na cozinha, que já era do apartamento quando alugamos, não tem condições de receber nada que usamos no dia a dia em suas gavetas. Como vamos ficar no apartamento só até o nosso ficar pronto — falta só mais um aninho! –, fomos improvisando para não ter que gastar. Mas o fato é que eu não aguentava mais os talheres daquele jeito. Meu marido também não.

Peguei então outras garrafas que já estavam separadas, lavei, cortei, fiz umas graças com tinta plástica que eu já tinha e o resultado é este aqui:

Tudo bem que uma delas – normalmente isso acontece com a primeira que a gente faz – ficou com cara de “trabalhinho escolar”. Mas isso é algo que pode ser facilmente corrigido pelo fato da tinta ser plástica. É tirar uma pontinha e puxar! Sai tudinho!

Também acho que ficará melhor só com garrafas transparentes. Mas como eram essas que eu tinha à mão no momento, problema resolvido! Cozinha organizada, sem gastar nada e marido feliz!

Medindo as palavras

Medindo as palavras

Outro dia estava pensando sobre o que escrever aqui blog. Não que eu não tivesse assunto. Aliás, há tanta coisa passando pela minha cabeça…! Mas que prefiro não colocar aqui. Por quê? Por causa de coisas como essa aqui: Perfil do Facebook pode refletir desempenho profissional, diz estudo.

Um dos pontos mencionados nessa notícia, publicada no Valor Econômico hoje, diz o seguinte: “Um exemplo de como o perfil na rede social pode ser relevante para o mapeamento da personalidade é a relação entre receptividade e curiosidade intelectual com a variedade de livros, citações famosas e posts que mostram a abertura do usuário a experiências novas. Outra relação se dá entre o número de amigos e interações frequentes e o nível de extroversão da pessoa.”

Embora este seja um espaço para que eu exercite a minha escrita e o meu livre pensar, sempre filtro os assuntos que escolho, as palavras que uso, a maneira como digo algo ou exponho a minha opinião. Não acho que esteja certa ao fazer isso. Só que, infelizmente, as empresas – e as pessoas de um modo geral – vasculham tudo o que fazemos na rede. Hoje estou empregada em um lugar, mas pode ser que amanhã eu esteja em outro. Como não pretendo me desfazer do blog tão cedo – se é que um dia vou fazer isso –, todo este material estará disponível para quem quiser ver. E a verdade é que não quero deixar nada que venha me prejudicar depois.

Voltemos ao estudo. Ele também aponta que há “fortes relações entre os dois materiais [Facebook e o material disponível na rede] e muitas vezes os perfis identificados pelos recrutadores por meio do Facebook foram mais precisos do que outros testes de personalidade comumente usados por profissionais de RH na seleção de candidatos”. Ok, estudo é estudo. Mas discordo citação que fiz dois parágrafos acima.

Dito tudo isso, nem precisava comentar que não sou a favor desse tipo de análise da vida do candidato por parte dos recrutadores. Mas estou ciente de que isso não irá mudar e de que mais empresas irão aderir a essa forma de seleção. Assim, tomo os meus cuidados e encaro a realidade.

A intenção é mesmo ajudar o planeta?

A intenção é mesmo ajudar o planeta?

Desde que se começou a falar no banimento das sacolinhas plásticas dos supermercados, os argumentos que escuto são o da sustentabilidade e o de “ajudar o planeta”. E muitos têm defendido a iniciativa já adotada na cidade de Jundiaí.

Como moro perto do trabalho, acabo fazendo muita coisa a pé, e uma delas é passar no mercado quando falta algo. Ontem mesmo foi um dia desses. Só depois que já estava lá é quem lembrei que o Extra não disponibiliza mais as benditas – se bem que nesse quiprocó todo elas viraram malditas. Não, eu não tenho uma dessas sacolas retornáveis que eles vendem – e, sinceramente, me recuso a comprar. E já explico o porquê. Resultado, andei quatro quadras e atravessei um parque carregando tudo em uma caixa.

Por que sou tão turrona neste assunto? É simples. Não concordo com esse acordo entre os supermercados e o governo. Desculpe, mas as sacolinhas não sumirão de beiras de rios, por exemplo, como num passe de mágica. Elas apenas serão substituídas por qualquer outra. Afinal, elas continuam sendo distribuídas em padarias, farmácias, feiras e nos mercados menores. E, mesmo que fossem completamente abolidas, elas só mudariam de cor, porque as pessoas seriam obrigadas a comprar sacos de lixo em vez de reaproveitar as que utilizariam em suas compras. Com essa medida, apenas trocam 6 por meia dúzia. E sem contar nas outras trocentas embalagens plásticas de arroz, feijão, açúcar, garrafas pet etc., etc., etc…

Se querem continuar defendendo esse discurso de “ajudar o planeta”, deviam no mínimo, providenciar uma coleta seletiva eficiente. (Veja aqui um exemplo do que não deveria acontecer).

Em tempo: sou super a favor de medidas sustentáveis, separo lixo reciclável e evite ao máximo o desperdício de água ;)

E a vida volta ao campus

E a vida volta ao campus

Na manhã desta terça-feira, a universidade assumiu um colorido diferente. Isso porque não se trata de uma terça qualquer de fevereiro. Ontem foi o primeiro dia de aula e hoje, ao atravessar o campus para chegar à minha sala, não tive como não reparar e facilmente identificar os “bixos”.

Grupinhos de meninos carecas com aquela cabeça braaanca e meninas sorridentes descobrindo um mundo novo circulavam por aí na hora do intervalo, que é justamente no horário em que chego para trabalhar. O barulho e as risadas que ouvi no centro de convivência, área onde se concentram as lanchonetes, contrastavam com as conversas em voz baixa, quase ao pé do ouvido, de funcionários e de alguns professores até a semana passada.

E, se na praça central quem reinava eram os passarinhos com a sua cantoria e dança entre as árvores, agora são os alunos quem dominam o lugar, reunidos nos bancos com violões a tiracolo.

Enfim a vida volta ao campus… A universidade volta a pulsar, com ideias, discussões, projetos e principalmente muita gente jovem – alguns descobrindo um mundo novo, outros loucos para acabar essa fase -, cheia de energia nesse início de ano letivo. E assim vamos até que a próxima pausa venha com as férias de julho.

Só porque estava vestido de mulher

Só porque estava vestido de mulher

O cartunista Laerte, da Folha, está causando a maior polêmica porque na terça-feira (24), foi proibido pelo dono de um restaurante de voltar a usar o banheiro. Absurdo? A situação não seria controversa e não teria chegado à Secretaria de Justiça do Estado, de acordo com matéria do jornal, se ele não estivesse vestido de mulher. Sim, ele é crossdresser.

Embora tenha minha opinião sobre o assunto, não pretendo aqui polemizar ainda mais. Quero compartilhar a reportagem especial que minha amiga, Carol, e outras meninas da turma dela fizeram sobre o tema durante o curso de Jornalismo. O vídeo mostra o que é o crossdressing a partir de depoimentos de homens que optaram por ter parte do guarda-roupa feminino. Antes de criticar, falar mal, tomar partido,  que tal se informar primeiro? ;)

Este é o meu lugar: São Paulo

Este é o meu lugar: São Paulo

Hoje, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, o tema do post não poderia ser outro! Embora esteja morando há poucos meses na vizinha São Bernardo, estou apenas de passagem. E, mesmo tendo nascido em Bauru, a terra da garoa é que é o meu lugar!

Na Avenida Paulista

São Paulo é a cidade onde vivi por quase 30 anos e posso dizer que ela atrai, vicia, apaixona, impressiona, seja por seus arranha-céus, seja por sua diversidade – artística, cultural, gastronômica, de moda, de estilos, de sotaques – por sua capacidade de reunir tantas pessoas de lugares e regiões diferentes.

Os do interior não conseguem entender como é possível viver num lugar em que passa horas no congestionamento, num trânsito caótico, sendo mais um em meio a uma infinidade de carros e motos por todo lado, respirando um ar poluído. Sim, isso tudo é verdade. Mas eles não conhecem o lado bom!

Eles não sabem como é gostoso dar um passeio à noite pela Paulista; não sabem como é aproveitar o Ibirapuera para correr, caminhar, andar de bicicleta, de patins, jogar bola ou levar o cachorro para dar uma volta, soltar a coleira e deixá-lo brincando com os outros cachorros (pra falar a verdade, eu também não sei porque não tenho um, mas me divirto vendo a cachorrada! ;) ); não sabem o que é a Rua São Caetano, a Teodoro Sampaio, a 25 de Março, o Brás e todo o centro da cidade; não conhecem o Museu do Ipiranga, o Masp, o Mercadão, a Estação da Luz, a Sala São Paulo, a Pinacoteca; não foram a eventos como a Bienal do Livro, a Bienal de Arte, o Salão do Automóvel; não ficaram roucos de tanto torcer num jogo de vôlei do Brasil no Ginásio do Ibirapuera ou quase enfartaram no Pacaembu ou no Morumbi (ok, ir a um jogo de futebol do Corinthians – sim, do Corinthians – é um item da lista que precisa urgentemente ser cumprido!).

São Paulo é tudo isso e mais um pouco. Não. São Paulo é tudo isso e muito mais. Cheia de qualidades, cheia de defeitos, cheia de ideias bacanas, cheia de gente sem-noção, cheia de sonhos, cheia de oportunidades, cheia de frustrações (por que não?), cheia de realizações, cheia de superações, cheia de pessoas incríveis e outras nem tanto, cheia de contrastes, a cada dia uma descoberta, a cada dia um novo lugar para conhecer. É isso que faz São Paulo ser São Paulo. E só entende quem vive ou já viveu aqui.

Em construção

Em construção

Trabalhar numa universidade, ainda mais na área de comunicação, tem as suas vantagens. Não é raro acompanhar eventos e palestras interessantes. Ontem mesmo tive o prazer de ouvir a professora Roseli Fischmann. Ela é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação da Metodista e também dá aulas na USP.

O evento era para as equipes pedagógicas dos colégios e, antes das oficinas, houve um momento para reflexão a partir de um tema. A professora falou sobre Identidade, Memória e Projeto.

Resumidamente: a identidade está num constante processo de elaboração, construção. Um exemplo que ela deu foi de duas pessoas que não se veem há cinco ou dez anos. Quando se encontram, há desencontros também, porque as pessoas que estão frente a frente não são as mesmas que se conheceram antes. Outro ponto importante: “identidade não é imagem”. Quem lida com administração, comunicação ou marketing sabe bem disso. =)

A memória, por sua vez, é organizada por cada um de uma maneira diferente e pode ser transformada pelo o que os outros nos trazem. Precisamos deles porque eles nos ajudam a preencher lacunas que ficaram na nossa memória. Assim, muitas coisas que não entendíamos passam a fazer sentido.

Já o projeto… Ah, o projeto! Você passa a vivê-lo no instante que o faz. Se você pensa em comprar uma casa, é como se você já morasse nela. Imagina os móveis, a disposição em que tudo ficará.  Ele é o presente e move você para concretizá-lo. “O projeto anima o presente, amparado pelo passado, iluminando o futuro.”

Pensei em várias coisas enquanto a ouvia – em uma conversa que tive nas férias com uma prima sobre querer escrever um livro sobre a família, no meu apartamento que está construindo, nos meus planos profissionais…

Às vezes temos dificuldade em finalizar um texto, como é o caso deste post. Acho que o motivo é simplesmente porque este assunto não está encerrado para mim. Ainda há muito o que elaborar, definir, colocar no papel e, principalmente, fazer.