… em como é a vida de um morador de rua

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Na terça-feira (4), estreou “A Liga”, um novo programa na Bandeirantes, em que a cada edição, os repórteres – quatro – tratam de um assunto, a partir de diferentes perspectivas. “A missão de cada membro da equipe é individual: mergulhar no fato intensamente, sofrendo, sorrindo, se emocionando e superando a si mesmo para sentir na pele a realidade vivida pelos verdadeiros protagonistas de cada história. O resultado é um relato sincero dos acontecimentos, sem abrir mão da ironia, da acidez, do bom humor e até do drama”.

No primeiro programa, foi tratada a realidade dos moradores de rua. Um deles viveu como mendigo e os outros acompanharam, durante 24 horas, um grupo de crianças no Rio de Janeiro; um casal, que de alguma maneira continua trabalhando – “não pode acomodar”, disse um deles -; e uma mãe com dois filhos, sendo um bebê.

Eles mostraram algumas coisas que nós não pensamos quando vemos uma dessas pessoas na rua. Por exemplo, a dificuldade para fazer as necessidades fisiológicas. Dificilmente um estabelecimento permite que eles entrem para usar o banheiro. Ou, mesmo tendo dinheiro para comprar um pãozinho ou tomar um café, têm de esperar do lado de fora.

As razões pelas quais chegaram àquela condição são inúmeras. São crianças que preferem vagar pelas ruas a ter que conviver com a violência dentro de casa; que encontram proteção e segurança entre os outros que passam pela mesma situação. Marido que foi morto por engano e, com isso, a falta de dinheiro para sustentar os filhos – seis hoje estão num abrigo.

São milhares de moradores nas ruas. De quem é a culpa? Será que um dia essa situação pode mudar? Um dos meninos carrega uma caixa de engraxate. Anda por horas até encontrar quem queira engraxar os sapatos. A repórter pergunta: “Você estava precisando engraxar seus sapatos?”. Ele diz que não e ela insiste: “Por que então?”.
O homem responde: “Basta você olhar para o braço dele”.

A outra repórter, que acompanha a família, passa uma noite com eles, dormindo em frente a um banco. Como jornalista, pensei se conseguiria fazer o mesmo que ela. Mas isso logo passou porque me coloquei no lugar dela. Depois de uma reportagem como essa, como seria a minha noite seguinte, no meu apartamento, na minha cama confortável, meu colchão, meu edredon…?

Fizeram uma breve enquete com as pessoas que passavam pela rua para saber se elas davam dinheiro para os pedintes. Acho que só uma mulher disse que sim. E eu? Mesmo constrangida, não dou. Quando criança, passeando com a minha avó pelo centro da cidade em Bauru, não era raro vê-la ir até uma lanchonete comprar algo e entregar para a pessoa. Embora o exemplo tenha ficado, quantas vezes foi posto em prática?

Vejo tudo isso e me sinto tão pequena! O que mais me dói é o meu comodismo e, de certa forma, o meu conformismo. Justamente por querer fazer mais pelos outros é que uma amiga se esforçou para entrar na ONG Médicos Sem Fronteiras. Sua primeira missão foi no ano passado, na Guiné, na África. Ela estava no Haiti quando o terremoto que matou centenas de milhares de pessoas aconteceu. Hoje ela está no Sudão, país que vive em guerra civil.

Ainda fico pensando nos repórteres que fizeram a matéria. Com certeza eles tiveram suas vidas marcadas após por essa experiência. Basta acompanhar as palavras – e as lágrimas – do Rafinha Bastos que encerraram a reportagem.

Para quem não viu, o vídeo do programa está disponível no site da Band, dividido em seis partes.

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