… nos fuscas da minha infância.

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 Fuscas. Quem tem menos de 15 anos, pelo menos, se recorda de ter vivido alguma história com um. A minha relação com o fusca é desde que eu me entendo por gente. Quando nasci, meu pai tinha um “poisé” (com S ou com Z?) 68, bege. Como eu gostava daquele carro! Lembro de ficar olhando um tempão para aquele teto “cheiro de furinho”. Mas o que eu gostava mesmo era do cheiro que aquele carro tinha. Era tão particular que não encontrei em mais nenhum outro. Interessante é que somente alguns dias atrás descobri que aquele é simplesmente o cheiro do fusca! Um rapaz da igreja que frequento tem um 64, marrom. Eu o conheço apenas de vista, mas já fui pedindo licença para entrar no carro. Qual a minha surpresa ao sentir novamente aquele cheiro que só havia na minha memória!

Uma vez, o “poisé” do meu pai parou em plena avenida 23 de Maio. O marcador do combustível não estava funcionando muito bem. Resultado: a gasolina acabou. A sorte é que minha mãe, minha avó e eu estávamos em outro carro e fomos socorrê-lo. Como na época não havia celular, teria sido tudo mais complicado. Apesar de não me lembrar de outras situações com o carro, ele foi símbolo e referência da minha infância.

Depois desse “poisé”, meu pai teve um outro, um amarelo-gema, 79. Apesar de também ser um fusca, não era o “poisé”. Não tinha aquele volante enorme, nem as mesmas maçanetas dos vidros ou das portas e eu já não passava mais o tempo olhando para o teto quando íamos para algum lugar. O “ovinho” foi passado para o meu pai quando meu avô, por parte de mãe, morreu. O do “vô” Antônio era branco, 81, ano em que nasci. Eu já não me lembrava mais do carro, a não ser da cor. Até que outro dia, meu marido me levou em uma loja que só vende fuscas. Havia dois com placas pretas, impecáveis. Um deles com aquela sombrancelha no farol. Outros exibiam as marcas do tempo; bons para quem tem dinhe… ops! gosta de restauração. Havia também os “medianos”, que pediam um ou outro serviço. Entre eles, vimos um “azul-calcinha”. Meu marido ficou apaixonado! Se ele tivesse o dinheiro, acho que teria feito negócio, porque o fusca da infância dele era como aquele. Ele vibrava sempre que via o tio chegar. Um dos meus tios teve um desse também. De longe sabíamos se ele estava em casa ou não. Até hoje é impossível pensar no tio “Tonho” e não pensar no fusca azul.

Enquanto ficamos na loja, aos poucos, a minha lembrança do fusca do “vô” Antônio foi voltando. Como a minha preferência pelo cor do estofado é clara, os bancos pretos do dele tinham se perdido em algum lugar da minha memória. O volante era pequeno também. Confesso que isso foi tudo o que consegui recordar. Se bem que não dá para esquecer o vazio que foi chegar em Bauru e não encontrá-lo mais lá. Mas a minha grande frustração foi não ter tido a oportunidade de dirigi-lo. Quando o meu tio resolveu vender o carro – o último fusca que ainda existia na família – eu estava com 16 anos. Quando digo para os meus amigos que sonho dirigir um fusca, me chamam de maluca, inclusive a minha mãe acha meio doida essa ideia, porque é um carro super duro. Mas mesmo com todos esses carros modernos – que nem precisam mais do motorista para fazer uma baliza – eu quero um dirigir um fusca, o meu fusca. E assim continuar a história dos fuscas da minha vida.

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