A decisão é sua

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Depois de um longo tempo afastada do blog – mais por pura falta de tempo do que assuntos para pensar – volto com um assunto um tanto espinhoso. Acabo de ler a entrevista que a psicanalista Regina Navarro Lins deu para a Folha.com. Logo no parágrafo de abertura, o autor escreve “conhecida por um discurso ímpar quando o tema é amor ou casamento, a psicanalista Regina Navarro Lins faz da internet um campo de testes para suas convicções sobre o futuro da sexualidade. E o futuro é bissexual, polígamo e sem pares, acha ela.”

Por um lado, não me surpreende. E nem precisa ser um grande observador para perceber que esse tem sido o caminho seguido por muitos. De uma maneira geral, o que tem regido as decisões das pessoas é um único critério: ser feliz. Algo simples, mas bastante amplo, porque o conceito de felicidade é subjetivo e varia de acordo com a interpretação de cada um. Esse argumento, porém, é utilizado com freqüência como justificativa de determinadas atitudes.

Enquanto escrevia esse texto, fiz uma pausa para comentar o assunto com o meu marido, que acabou me contando sobre um ex-colega de trabalho que costuma ir nessas casas de swing. O rapaz é separado e se arrepende por estar nessa situação. Ele sente falta da mulher e dos filhos, reconhece os seus erros e tenta reconquistá-la.  Para superar todo esse problema e enfrentar a dor de ter deixado um casamento para trás, vê nas suas idas a essas casas como forma de extravasar. Meu marido perguntou simplesmente: “e daí? Qual o sentido disso tudo? Que tipo de vida é essa?”. E eu me pergunto: quantos outros têm uma vida semelhante, de balada, de vida descompromissada, onde a busca pela própria felicidade esbarra num egoísmo e individualismo, que só tem como objetivo o seu próprio prazer?

Quando questionada se a monogamia vai acabar, a psicanalista responde: “O amor não é uma experiência natural, é uma construção social. O amor romântico –com a idealização do outro e aquela ideia de que os dois se transformam em um– está saindo de cena. A busca da individualidade [destaque meu] faz o amor romântico perder seus atrativos e leva junto a exigência de exclusividade”. Sobre essa resposta, tenho dois comentários a fazer. Primeiro, quero deixar claro que não sou psicóloga e tampouco sou uma profissional que estuda as relações ou o comportamento humano. No entanto, entendo que o motivo por trás desse individualismo todo é um vazio que as pessoas tentam preencher. Não quero aqui fazer um discurso religioso, mas vejo que nós, seres humanos, precisamos de um sentido, de uma razão para existir. Entretanto, após uma balada, uma festa, umas garrafas de cerveja e beijos em um desconhecido, no final da noite, eles voltam para casa e…? De que valeram aqueles momentos de curtição? Absolutamente efêmero. Depois daquela noite tem outra e outra e outra…

Renato Russo já cantava “ainda que eu falasse a língua dos homens, que eu falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria…”. Para quem não sabe, é bíblico. Está no livro de 1 Coríntios. E eu continuo: “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1 Co 13: 2-8) [destaques meus]. Depois dessas palavras, nem tenho mais nada a dizer sobre o amor, minha segunda consideração.

Você pode não concordar comigo e eu respeito isso. Pode também não ser a favor do que essa psicanalista diz. Mas se chegou até aqui, espero que em algum momento tenha pensado em algum ponto do que leu. E agora, José? Agora é com você.

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  1. Primeiro, tenho que concordar: o tema é mesmo espinhoso!
    Na minha opinião, buscar a felicidade é um direito E DEVER de todos. A vida é uma só, e temos de vivê-la da melhor maneira possível. O que eu acho que é um grande problema é que crescemos numa cultura que nos “mima” um pouco demais. Buscar a felicidade sim… mas a que custo? Quando é a hora de impor limites nos nossos atos de busca da felicidade? Quando vamos aprender que limites são parte de uma vida plena, e não a falta deles?

    O que precisamos é reaprender a aprender ao longo da vida. Aprender as novas felicidades que vem com o passar do tempo. Aprender com os limites que a vida nos impõe, sem ficar com a “cara amarrada” de crianca mimada. Aprender que as dificuldades também fazem parte da felicidade. E isso se aplica principalmente a relacionamentos.

    Relacionamentos não vêm prontos. São construidos ao longo do tempo. Se a monogamia vai acabar, nao sei se concordo com isso… Mas eu não tenho nada contra as pessoas mudarem seus estilos de vida, conforme a vida acontece. Só que faca escolhas que sejam pensadas, nao só as impulsivas! Seja mais perseverante,aprenda com a vida e suas experiencias, e quando tomar uma decisão, faca valer!

    A minha monogamia, pelo menos, está segura! James C. Hunter escreveu: “Comece com o objetivo em mente!”. Licao de vida extremamente util quando precisamos tomar decisões importantes. Quando casei, meu objetivo era formar uma família feliz e unida, que seja um poco de amor incondicional e de seguranca para todos nós ao longo das nossas vidas. E é esse objetivo que tenho em mente. 🙂

    Contudo, tem uma coisa que me deixou curiosa: como q o tal amigo vai numa casa de swing solteiro? Tipo, vc não tem q levar uma pessoa pra poder… hmm… “swingar” com outros casais? Não entendo nada dessas coisas…. 😛

    bjos amiga!

  2. é…
    as coisas estão cada dia piores
    os paradigmas começam a ser criados na cabeça das pessoas e quem tira isso depois?
    busque sua felicidade a qualquer preço, é isso que ouço sempre…
    consequencias? não tem problema, depois a gente dá um jeito….
    e amor? que amor?
    a Biblia diz, que no fim dos tempos o amor de muitos esfriaria…
    e penso que se não acabar logo…. vai ser dificil continuar nessa terra heim….
    beijos prima!
    adorei post

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