Toda ação gera uma reação. E uma conseqüência também.

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Outro dia, ao ver a minha empolgação para terminar o último livro da série Millenium, “A rainha do castelo de ar”, do escritor sueco, Stieg Larsson, minha avó me perguntou: “tá, a história é interessante, mas o que você aproveita daí?”.

Primeiro eu dei risada porque a minha avó não costuma ler literaturas que não sejam cristãs. Nem mesmo quando era mais jovem, na época em que os romances Super Julia – alguém ainda se lembra disso? – eram famosos.

Expliquei que esses livros não são para você aprender algum tipo de lição. São como filmes, em que a história é bacana, você se envolve e quer  logo saber o final. Mas ao contrário do que eu mesma afirmei, desde o primeiro volume – “Os homens que não amavam as mulheres” – teve um detalhe que me fez pensar.

Lisbeth Salander, uma jovem de 20 e poucos anos, com um perfil muito peculiar, é uma das personagens centrais da história. A maneira como Larsson a descreve é de um detalhe e de uma complexidade que só mesmo lendo para apreender tudo sobre a personalidade dela.

Hacker, dona de uma memória fotográfica e uma excelente pesquisadora, Lisbeth não faz questão de mostrar suas habilidades a todos. Pelo contrário, seu corpo franzino, suas tatuagens e piercings e seu jeito punk de se vestir não são um convite a aproximação de ninguém – algo que, aliás, ela não faz a menor questão de que aconteça.

Aos 13 anos, por uma decisão judicial, foi internada num hospital psiquiátrico – não pretendo revelar o motivo porque esse é um dos segredos que permeiam o segundo volume, “A menina que brincava com fogo”. Como Lisbeth se recusava a dirigir uma palavra sequer ou estabelecer qualquer outra forma de comunicação com os psiquiatras, foi declarada incapaz. Já aos 18, quando a opção de viver com famílias adotivas se mostrou inviável, foi colocada sob tutela. Seu primeiro tutor, Holger Palmgren, diferentemente dos demais, a tratava como uma pessoa normal e não como alguém que necessitava de cuidados ou de tratamentos especiais. Por intermédio dele, Lisbeth arrumou um emprego e passou a administrar sua conta bancária, sem precisar dar satisfações sobre seus gastos.

Lisbeth era regida pelo seu próprio “código de conduta” e por um forte senso de justiça e, portanto, suas reações podiam variar entre a indiferença ou até mesmo a violência. Dependendo da ação sofrida, era ela quem decidia qual a punição o agente deveria receber. E nesse ponto, Palmgren teve um papel fundamental. Em suas conversas com Lisbeth – monólogos muitas vezes, já que esta calava-se – o tutor ponderou que ela poderia fazer o que bem entendesse, mas que antes deveria analisar as conseqüências de seus atos.

Análise das conseqüências. Eis a resposta para a pergunta da minha avó. Quantas vezes a gente realmente para para – detesto algumas alterações da nova ortografia. Sem o acento diferencial é estranho de escrever e de ler também. Enfim… – pensar em quais serão as possíveis consequências de determinadas atitudes que tomamos?

Antes de concluir este texto –confesso que levei alguns dias para isso – fiquei um tempo pensando em alguma situação pela qual passei e que não tenha levado esse raciocínio em conta.  Acabei não chegando à conclusão nenhuma e pelo simples fato de que sou do tipo que pensa mil vezes antes de fazer ou falar alguma coisa, que prefere mais a diplomacia e a discrição e, portanto, não costumo ter atitudes impulsivas. O que, por um lado, não é de todo uma virtude. Um dia, por causa da minha não-intervenção, um amigo quase teve a surpresa preparada para a noiva estragada por um desavisado.

No fim das contas, acho que sempre exercitei a “análise das consequências” sem ter plena consciência disso. O único detalhe é não demorar demais nessa análise para não perder o timing, principalmente, de decisões.

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