Piadas que a gente lê no jornal

Padrão

Domingo, dia de almoço em família. Enquanto esperava minha mãe finalizar os últimos detalhes e aguardávamos meus tios, fui dar uma olhada no jornal. A primeira notícia da Folha (27/02/2011) já destaca o título “STJ ignora teto e paga supersalário a seus ministros” e é seguido pela linha fina, que diz: “Dos 30 ministros que compõem a corte, 16 receberam mais do que a lei permite”. Ao lado, o infográfico aponta R$ 26,7 mil como o teto constitucional para salários no poder público; R$ 31 mil a média salarial dos ministros do Supremo Tribunal de Justiça e os três maiores salários pagos – R$ 62mil, R$ 76 mil e R$ 93 mil. Sim, você leu certo. 93 MIL REAIS!

As explicações para os pagamentos acima do teto são muito simples e legítimas, no entender do presidente do STJ, o ministro Ari Pargendler. “Esses valores não incidem no teto porque não são remuneração, são auxílios, abonos de permanência [benefício pago a servidores que optam por continuar em atividade mesmo tendo contribuído o suficiente para se aposentar, segundo o jornal] e adiantamentos de férias e salários”. No caso do ministro que recebeu R$ 93 mil, isso aconteceu porque ele recebeu um auxílio de 76 mil para se mudar com a família para Brasília. Já o ministro Pargendler recebe R$ 25.386,00 de salário + R$ 1.243,00 de gratificação por ser presidente + R$ 2.929,00 como abono de permanência. Total: R$ 29.558,00.

Destaco que o teto vale para a presidente, vice-presidente, parlamentares e ministros. O irônico é que estamos falando de pessoas que atuam num órgão de instância máxima da Justiça e que, aproveitam de brechas na lei para benefício próprio. Coitada da mulher que ouvi no ônibus dia desses. “Você viu para quanto foi o salário mínimo? Isso pra mim não é aumento, é esmola”. Torço para que ela não tenha lido essa matéria para ficar ainda mais inconformada…

Passado o momento de revolta e de vergonha alheia, continuei folheando o jornal e encontrei uma piada ainda melhor: “PR indica Tiririca para Comissão de Educação”. O líder do partido deputado Lincoln Portela ainda teve coragem de dizer que “a Comissão é de Educação e Cultura. Se ficarem falando que é só de educação fica ‘diferente’, em vista do que falaram dele”. Como é que é? Uma pessoa que depois de eleita precisa comprovar que é alfabetizada quer compor a Comissão de Educação e Cultura? Ah, sim! Não podemos esquecer  que é de Cultura também!

Depois disso retorno lá no editorial, no texto escrito pelo Carlos Heitor Cony, que não poderia ser mais apropriado para essa edição. Ele começa dizendo que “muito antes de De Gaulle, eu já suspeitava de que o Brasil não era um país sério. Tinha motivos genéricos e pessoais para isso”. Em seguida, ele conta uma história ocorrida com ele e depois exemplifica com o Imposto de Renda, finalizando com a seguinte conclusão: “Não adianta o cidadão tentar ser honesto: os cálculos são tão confusos e há tanta bi e tritributação que o cidadão fatalmente cometerá enganos ou contra si ou contra o erário. Não adianta ser sério: o país não é”.

Dessa vez achei melhor nem ficar pensando em nada. Externar isso já foi suficiente.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s