…na tal qualidade de vida que as empresas falam

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Acabo de receber a edição deste mês da revista Você S/A e, dando uma folheada ontem, li uma pequena entrevista com o Bruno Honda Leite, publicitário de 32 anos. Ele conta que optou pela profissão porque sempre gostou muito de desenhar e queria unir o trabalho com algo que gostava de fazer.

Depois de 13 anos atuando em grandes agências, prêmios e estresse com longas jornadas, decidiu partir para empresas menores, mesmo ganhando 30% a menos. “Estou comprando duas horas do meu dia de volta”, justifica.

Três frases de Bruno chamaram a minha atenção. A primeira delas mencionei acima. A segunda é “espero que a Mônica não me dê nenhuma coelhada depois, mas ela se parece muito com a personagem. Ela é muito correta e briga pela qualidade de vida dos funcionários.” Apenas para esclarecer, hoje ele é funcionário da Maurício de Sousa Produções e responde diretamente para a Mônica, diretora comercial.

E a terceira fala: “Um emprego é só um emprego. Eu gosto muito do meu trabalho, mas eu amo mesmo a minha família. A pressão que se bota de que temos que amar o que fazemos para não sermos frustrados é nociva.”

Fiquei pensando nessa lógica cruel que vivemos. Cada vez exige-se mais das pessoas: metas, prazos, produção de mais com menos – menos funcionários, menos recursos financeiros – e melhor, ainda por cima (!), além de infinitas e intermináveis reuniões. Por outro lado, o discurso é sempre no sentido da qualidade de vida. E, não à toa, as empresas criam programas para aliviar essa carga de estresse: massagens, descontos em academia, patrocínio de grupos de corrida, áreas de descanso, horário flexível etc.

Ultimamente, tenho percebido um movimento de pessoas cada vez mais jovens em busca da conciliação profissional com a vida pessoal – aliás, diversos autores dizem que isso é algo característico da tal Geração Y, na qual eu me encaixo, inclusive. Esses jovens, com vinte e poucos, trinta anos, querem vencer desafios, subir os degraus da carreira e ter um retorno financeiro compatível, mas sem abrir mão de si mesmos.

Sou privilegiada por morar cinco minutos a pé do meu trabalho, o que, sem dúvida alguma, contribuiu, e muito, para que eu tenha mais qualidade no meu dia a dia. Mas sei que essa mordomia não será para sempre.

Sou como o Bruno – eu amo mesmo a minha família. Por isso, o combinado entre meu marido e eu é que o trabalho vem em segundo lugar. Para toda regra há a sua exceção, mas deixamos claro que a exceção não pode virar regra.

Como as chances de as empresas mudarem são praticamente nulas, o que resta é nos adaptarmos, elegermos as nossas prioridades e buscarmos meios para nos dedicarmos àquilo que de fato consideramos o mais importante. E para você? O que é mais importante?

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