Qual o verdadeiro preço que se paga pela beleza?

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Ontem fiquei horrorizada ao ver no programa Tabu, do NatGeo, do que as pessoas são capazes de fazer para alcançarem seus ideais de beleza. O que acho mais impressionante nisso tudo é que essas pessoas deveriam procurar psicólogos e psiquiatras e não cirurgiões plásticos. Pior, os médicos deveriam se recusar a fazer determinados procedimentos. Mas como estão recebendo… e não é pouco…

Foram quatro casos. O primeiro mostrou uma mulher que no colégio e na faculdade sofreu bullying por estar acima do peso. Por causa disso, fez diversas plásticas, principalmente nos seios. Ela inclusive chegou a realizar uma das cirurgias aqui no Brasil porque um dos médicos não quis operá-la para aumentá-los ainda mais. Conclusão: ela pegou uma infecção, teve que retirar as próteses — duas em cada seio para se chegar ao tamanho que ela queria, 48 — e quase morreu. Mas nem isso a fez desistir. Depois de recuperada veio para cá novamente e recolocou os implantes.

O segundo caso, o mais absurdo a meu ver, é de uma moça russa de 21 anos, que sofria de baixa autoestima por medir 1,50 cm, quando em seu país a média de altura é de 1,55 cm. Comparo a cirurgia que ela fez ao uso de aparelhos fixos nos dentes. O ortodontista regula o fio para movê-los para a posição desejada. Quem já usou, sabe o quanto dói! O procedimento a que ela se submeteu consistiu em enfiar diversas hastes de metal em suas pernas na altura da canela (não sei o nome correto dos ossos) e outro aparelho redondo em volta preso a eles, tipo uma “gaiola”. Depois o médico quebrou os ossos, deixando um espaço entre eles, para que eles cresçam e emendem uma parte na outra. O resultado será quatro meses de cama e, no máximo, quatro centímetros a mais em sua altura. Ah, sim. Tudo isso por 26 mil dólares! Detalhe: o hospital onde a cirurgia foi feita é para cuidar de pacientes com algum tipo de deficiência física.

O terceiro exemplo foi de um homem que está passando por um processo de feminização. Para isso, foi para a Tailândia, onde fez somente uma consulta com o médico antes da cirurgia. Colocou prótese no nariz, afinou o queixo e rebaixou o crânio, na altura das sobrancelhas. Prefiro nem opinar, pois este é um caso polêmico, que envolve opções sexuais. Ver parte do procedimento — sim, apenas parte, porque ao ver o que estavam fazendo no rosto daquela pessoa e aquele sangue todo, fechei os olhos — foi mais do que suficiente para mim.

A última história que mostraram foi da modelo francesa Isabella Caro, que sofria de anorexia. Ela contou que, certa vez, um fotógrafo disse que ela precisaria emagrecer mais se quisesse arrumar trabalho. E ela já estava pesando 36 kg! Foi somente após passar por um coma, com 24 kg, é que a modelo decidiu se cuidar. Escreveu um livro contando a sua história, passou a frequentar sites Pro Anas – de meninas que incentivam a anorexia – para conscientizar as pessoas que defendem a doença e participou de uma campanha, em 2007, para denunciar a anorexia no meio fashion. Infelizmente ela não resistiu e morreu dois meses depois de gravada a entrevista.

A modelo francesa Isabella Caro em anúncio de campanha contra a anorexia em 2007

Canso de ouvir que as pessoas gostariam de ser alta ou magra como eu. Mas eu, por exemplo, colocaria silicone. Não é tão simples quanto parece comprar um vestido, ainda mais os de festa. Não tenho modelo preferido de biquíni. Levo o que serviu na parte de cima. E calça então? Se deu certo no comprimento, é porque ficou larga na cintura. Se serviu na cintura, pode trocar. Ficou curta.

Na época em que trabalhei em uma loja de roupas, atendi uma moça de uns vinte e poucos anos, linda. Mas toda encanada porque era gordinha e não achava nada que combinasse. Ok, ela estava acima do peso. E daí? Foi gratificante ver o sorriso e o brilho nos olhos dela depois que mostrei que bastava vestir as peças certas.

O que precisa ficar claro é que nada e ninguém são perfeitos. Por mais que se tente chegar à perfeição, ela nunca será alcançada. Se você é míope, por exemplo, e não pode fazer a cirurgia de correção, compre uma armação estilosa. Se o problema são os cabelos, procure o corte mais adequado, e se tiver cachos, assuma-os de vez! E se está gordinho, procure ajuda de um nutricionista e vá a uma academia. Se a grana estiver curta, tenha uma boa dose de disciplina, corte os excessos e faça caminhadas.

Por que não se aceitar como é? Por que deixamos que os outros digam como devemos ser? Ou o que devemos vestir? Ou como devemos nos comportar?

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  1. Gabriela, parabéns pelo ponto de vista. Realmente é muito difícil seguir o padrão de beleza estabelecido pela mídia, que por vezes nos induz a um sacrifício desnecessário.
    Parabéns novamente, são alertas assim que, por vezes, nos ajudam a colocar a cabeça no lugar!

    Beijos

    • A grande questão é que o padrão imposto na maioria das vezes não corresponde ao biotipo da pessoa e, assim, elas deixam de respeitar o seu próprio corpo. Evidente que as mulheres sofrem mais com isso e não são todos os homens que gostam das magras. Ou das loiras, ou das altas. Mas, infelizmente, elas se deixam levar pelo o que os outros dizem. Quem disse que eu tenho que ser igual a todo mundo, que eu tenho que seguir um padrão? Eu apenas tenho que ser eu mesma. =)

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