Uma ruptura necessária

Padrão
Uma ruptura necessária

Faz dois meses que voltei para as minhas aulas de música, algo que eu queria muito, mas que tinha ficado perdido lááá trás por uma série de razões. Mas voltei para aprender teclado e não piano. Embora os instrumentos sejam parecidos, não, não é a mesma coisa tocar um e outro. Ainda mais para mim, que segui a linha do erudito.

Uma das coisas que eu sempre quis fazer e estou começando a aprender é a improvisar. Quando você vê alguém tocando e presta atenção no que a pessoa está fazendo, parece tão fácil! Mas só parece…

Ontem, um dos exercícios era justamente de improviso. “Agora eu quero que você use as notas da escala em vez de só arpejar o acorde”, disse o meu professor. (Para os que não entendem de música: um acorde é quando várias notas são tocadas ao mesmo tempo, formando um único som. O arpejo seria tocar essas notas de forma alternada. Já a escala seria uma sequência de notas ascendente ou descente. Com exemplo fica mais fácil. A escala de dó é dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Melhor parar por aqui senão acaba virando uma aula de teoria musical!). Então ele me mostrou qual era a escala naquele caso. Tentei guardar aquelas notas e pensar em como elas se encaixariam naquele exercício que eu estava fazendo. Olhei bem para o teclado e perguntei para o meu professor: “posso treinar em casa?”. Já estávamos no fim da aula e ele concordou. Enquanto pegava as minhas coisas, falei baixinho pra mim mesma: “é difícil, mas eu vou conseguir”.

Quando entrei no carro com o meu marido, eu já sabia que ia chorar. Até avisei a ele com antecedência e disse que ele poderia rir se quisesse. Sem problemas, porque, na verdade, eu sabia que aquilo não era motivo para tanto. Contei o que aconteceu e expliquei que a questão era outra. Não era simplesmente ser fácil ou difícil.

Eu também já sabia que as aulas provocariam mudanças em mim. Mas aquele momento foi, digamos, mais forte. Comecei a tocar piano aos oito anos e a interpretar as músicas que lia nas partituras. Quando eu olho para o caderno, para seguir aquela sequência de acordes e alguém me diz para encaixar as notas do jeito que eu quiser, eu simplesmente não sei o que fazer!

Uma das coisas que admiro no meu marido é que nesse sentido ele é completamente diferente de mim. Sem saber tocar teclado, ele fica brincando com o som das notas e, de vez em quando, saem algumas coisas interessantes! =) E, com o contrabaixo, que é o instrumento dele, aí é que ele não se intimida de jeito nenhum!

“Sabe por que é difícil?”, falei com as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Porque, aos 30 anos, eu tenho que romper com o que aprendi aos oito!”. Claro que não vou deixar aquele conhecimento todo de lado, mas agora é um passo diferente. Tenho que “esvaziar a caixa”, me desprender de regras, seriedade, exigência e até limites que, de alguma maneira coloquei para mim mesma. Afinal, música é para ser leve e divertida e este é o momento de voltar a ser criança para prosseguir.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s