Padronização ou discriminação?

Padrão

Com tantas coisas para resolver no trabalho, soube dessa notícia que saiu no site da Folha, pelo meu primo, por e-mail. Resumidamente, uma estagiária registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância contra a escola em que trabalha, alegando ter sido alvo de racismo.

De acordo com o jornal, no primeiro dia de trabalho, em 1º de novembro, a diretora teria implicado com uma flor presa no cabelo e teria pedido para que ela o deixasse preso. Em outra ocasião, ela teria dito que “compraria camisas mais longas para que a funcionária escondesse seus quadris” e questionado: “como você pode representar nosso colégio com esse cabelo crespo?”. A matéria relata que “ainda de acordo com a estagiária, a diretora contou que já teve cabelos crespos, mas os alisou para se adequar ao padrão de beleza exigido.” Esta teria sido a motivação do registro do B.O.

A estagiária Ester Elisa Cesário, que se sentiu discriminada seu trabalho. Foto: Jefferson Coppola/Folhapress

A escola alega que não teve intenção de causar constrangimento; que possui um modelo de aprendizagem que inclui professores, estudantes e funcionários de várias origens e tradições religiosas; e que funcionários e alunos devem usar uniforme para que o foco da atenção não seja a aparência.

Um detalhe que chamou a minha atenção nessa história foi o fato de a diretora ter contado que alisou o cabelo para se adequar ao “padrão de beleza” exigido. Existe uma grande diferença entre padrão de beleza e padrão de vestimenta.

Uma vez participei de uma dinâmica em um laboratório que possuía um dress code. Antes de começar as atividades propostas, a selecionadora explicou como isso funcionava e passou um livretinho para vermos. Havia orientações quanto ao modo de se vestir, a tonalidade das cores que deveriam ser usadas, tipo de sapato e de armação de óculos. Já as mulheres não deveriam usar esmaltes escuros ou ter cabelo com corte irregular – que era o meu caso na época. Achei um tanto exagerado, mas ela disse que eu poderia, por exemplo, colocá-lo atrás das orelhas, que já resolveria o caso. Isso tudo tinha a ver com a imagem que a empresa queria que os seus funcionários transmitissem. Ela contou que os propagandistas daquele laboratório eram facilmente reconhecidos pelos de outros só pela maneira de se vestirem.

Neste caso, se os funcionários devem usar uniforme, a nota não diz se o dela estava sendo providenciado. E, neste caso, se ela foi orientada quanto aos trajes mais adequados até recebê-lo.

Quanto ao cabelo ou uso de adereços, em algum momento foi dito o que e como usar? Se não possuem um dress code ou um documento que formalize algumas orientações, esses esclarecimentos deveriam ter sidos ditos na entrevista. Afinal, a empresa procura escolher os que mais se adequam ao cargo, mas os candidatos também escolhem onde querem trabalhar.

Como a matéria não apresenta muitos detalhes, não dá para saber como tudo ocorreu. Ainda assim, vale ler a nota oficial do colégio e para saber o seu posicionamento e as ações que estão sendo tomadas nessa situação.

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