Uma agradável surpresa musical no metrô

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Ao passar pela estação Paraíso do metrô, em São Paulo, fui fisgada pelo som que vinha de um piano. Não importa o ritmo que esteja sendo tocado, sou apaixonada por este instrumento. Como não tinha pressa para voltar para casa, parei e fiquei admirando aquele menino tocar. Além de mim, o irmão, a mãe e mais um rapaz.

Os dedos, muito ágeis, deslizavam de um lado a outro pelo teclado enquanto ele executava uma música clássica. E, de fato, não era uma peça das mais fáceis. Como ele consegue decorar tudo isso? (“male-male” eu consigo decorar a sequência de quatro acordes que eu já toquei um monte de vezes! Se bem que até hoje eu ainda lembro de “Jesus, alegria dos homens”…)

Apesar da vergonha — e do nervosismo –, sob os olhares de quem é excelente, ainda arrisquei uma música. Tremi, suei, errei, mas saiu. Desculpei-me pelos erros, agradeci e fui embora. Lá embaixo, já na plataforma, o texto para este post estava pronto na cabeça. Mas eu precisava saber mais sobre aquele menino, que estava tocando de novo. Mesmo não tendo trabalhado em redação, jornalista que é jornalista sempre sabe quando há uma boa história para contar. Não pensei duas vezes e voltei.

Aquele menino é o Bruno Bologna, de apenas 15 anos. Para a minha surpresa, faz só – SÓ! –, quatro anos que ele começou a tocar. A mãe, Elisângela, cheia de orgulho e brilho nos olhos, conta que ele já ganhou vários concursos. Depois do que vi, não devem ter sido poucos!

Convenhamos, não é nada comum um adolescente gostar tanto assim de instrumento como piano. Então, de onde veio isso? “A minha avó tinha um piano na casa dela. Quando eu ia lá ficava mexendo e sempre quis aprender”. A mãe completa: “eu achava que não tinha nada a ver. Imagine! Comprar um piano? Pra quê?”.

Ainda bem que ela investiu no filho! Após um ano e meio na Escola Municipal, o Bruno “se encheu” e agora faz aulas particulares a cada 15 dias (boquiaberta novamente). Perguntei quanto tempo ele costuma estudar por dia: “ah… depende!”. Cutuquei para saber uma média, pelo menos. “Não é muito… uma hora e meia” (quem dera se eu tivesse esse tempo todo!).

O irmão, Breno, acompanhava a conversa. Não resisti e quis saber dele também. Quando retornei, Bruno e a mãe insistiam para que ele cantasse. Ele cedeu. E eu fiquei passada – de novo!  A música que ele cantou? Rolling in the deep, da Adele. A mãe se apressou em dizer que “ele gosta muito de músicas italianas e nunca fez aula”. Só de guitarra, por dois anos. Mas o negócio dele mesmo é cantar.

A veia musical não é à toa. Além da avó, que é pianista, eles são sobrinhos do guitarrista Eduardo Bologna, instrumentista conhecido no meio musical. Infelizmente a nossa conversa foi interrompida por um telefonema de alguém que os esperava.

Não sei se um dia vou voltar a vê-los. Mas se o Bruno optar pela carreira musical e eu ouvir falar dele, vou me lembrar do privilégio que foi aquele pequeno espetáculo particular, num sábado à tarde, no metrô de São Paulo.

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