Pequenas misses: crianças sem escolha e sem infância também

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Depois de um período em que a pessoa que escreve mal tinha tempo para ela mesma, o blog, que andava esquecidinho, coitado, retorna à vida.

Esta semana, a TV estava ligada enquanto eu via algumas coisas no computador. A hora passou e o programa mudou. Eu nem estava prestando atenção e, quando me dei conta, estava passando o programa Pequenas Misses, no Discovery Home & Health. Fiquei chocada. Sério.

Aqui você pode ter uma ideia do que estou falando.

Algumas situações, a meu ver, beiram a loucura. Uma das mães chegou a pintar a filha de uns quatro anos com aerógrafo porque os jurados “gostam de um tom bronzeado na pele”. A menina chorava, dizendo que não queria, mas a mãe insistia: “Não precisa chorar. Você sabe que nem doi tanto assim”. Oi?

Cheguei a pensar em mudar de canal, mas quis ver até onde ia tudo aquilo. Em outro momento, a menina contava quantas coroas tinha. Mais de 80. Oi-ten-ta! Em seguida, para aumentar as chances de ganhar o tal concurso, a menina tinha um horário agendado com uma mulher que deveria prepará-la. Óbvio que a menina não parou um minuto sequer por não querer seguir tudo o que mandavam.

Fiquei me perguntando: que mães são essas, que lidam com suas filhas como se fossem bonecas e marionetes? Para quê tudo aquilo? Que tipo de adultos estão criando? Quais valores estão transmitindo? Eis uma das respostas:

Com uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com as críticas e aprender com seus erros, muito jovens narcisistas não conseguem se acertar em nenhuma carreira. Outros vão parar na terapia. Esses jovens acham que podem muito. Quando chegam à vida adulta, descobrem que simplesmente não dão conta da própria vida. Ou sentem uma insatisfação constante por achar que não há mais nada a conquistar. Eles são estatisticamente mais propensos a desenvolver pânico e depressão. Também são menos produtivos socialmente.”

Este é um trecho da matéria de capa de uma das edições do mês passado da Época – “A turma do ‘Eu me acho’”, que fala sobre como a educação moderna exagerou no culto à autoestima. O texto continua contando a história de uma jovem de 25 anos, que está em terapia desde os 15 e que “não hesita em dizer que foi e ainda é mimada”.

Triste ver o que esses pais fazem, deixando a criança sem escolha e sem infância também.

A psicóloga Rosely Sayão publicou um artigo sobre o programa um tempo atrás no caderno Equilíbrio, da Folha. Vale a pena ver a opinião de uma especialista.

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