Respeito. Simples assim.

Padrão

Acabo de ler no blog Maternar, da Folha, sobre a violência obstétrica que muitas mulheres sofrem na hora do parto. É absurdo pensar que durante um dos momentos mais especiais da vida a mulher seja mal tratada ou sofra com agressões físicas e psicológicas. Pior, é saber que o Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil público para apurar os casos, tamanho o aumento do número de denúncias.

Não, não conheço nenhuma mulher que tenha passado por isso. Ou melhor, pode até ser que eu conheça, mas que, por motivos óbvios, nunca tenha tocado no assunto. No entanto, por causa da internet, ficou fácil ter acesso a inúmeros relatos de quem tenha sofrido com situações como essa.

Muito antes de eu engravidar ou de ter uma prima doula, cesárea era uma das coisas que eu já tinha decidido não passar – a não ser que realmente seja necessária (faço questão de destacar o realmente porque muitos médicos, aproveitando-se do fato de serem médicos e do momento frágil da mãe, do pai e também da família dão desculpas mil para que a cesárea seja feita).

Não é preciso dizer que cesáreas, além de mais convenientes para os médicos e hospitais — afinal, tudo é agendado, programado — são mais lucrativas. O que me deixa indignada é que tudo isso é colocado acima da mãe e do bebê; é colocado acima das pessoas

Praticamente todos têm algum tipo de TV a cabo em casa. Há diversos programas que acompanham o trabalho e o momento do parto. Então, não é difícil ver em outros países é tudo bem diferente. A maioria acontece de maneira normal e, se a mãe opta pelo parto natural, nenhum tipo de anestesia é aplicada. A vontade da mulher é respeitada (falando em programas de TV, o mais irônico é que nas novelas, toda vez que é mostrada uma cena de parto, ele, por acaso, é uma cesárea?).

Tenho prima e amiga que moram na Inglaterra e na Noruega e tiveram seus filhos de partos normais, enquanto aqui no Brasil é esse festival de cirurgias (outra curiosidade: naqueles países a licença maternidade pode chegar a um ano e ainda ser compartilhada com o pai. Aqui, oficialmente são apenas quatro meses e, lendo a carteirinha do pré-natal, entendi o porquê de tão pouco: recomendação médica e nada mais – não trabalhar um mês antes da data prevista para o nascimento do bebê e três após. Algumas empresas aumentaram esse tempo para seis meses, o que é mais compreensível e aceitável, uma vez que a orientação é de que o bebê seja amamentado exclusivamente no peito até este período).

Também não consigo me conformar com uma série de coisas que acontecem contra a vontade da gestante. Diversos procedimentos, como os citados no Maternar, são feitos sem consentimento. Onde está o respeito nisso tudo? Algo muito simples e que tem sido deixado de lado.

Ok, há diversas mulheres que têm seus filhos em maternidades por parto normal e são muito bem atendidas. Fico feliz por elas, mas infelizmente acredito que sejam a exceção e não a regra.

Como esta é uma realidade que não pode ser mudada da noite para o dia, evito ficar pensando nessas situações (até porque estou muito tranquila com tudo), mas estar informada e preparada é sempre bom. Sendo cristã, cabe a mim orar, orar e orar, pedindo a Deus que cuide e prepare cada detalhe, para que tudo corra de uma maneira especial, como tem sido a gestação até aqui e em outras áreas da minha vida.

*    *    *

PS.: não resisto e leio os comentários. Sem palavras para alguns de tão non sense que são. Um deles, inclusive, desmerecendo o post, considerando as autoras “meras blogueiras”. Primeiro: um site como a Folha, jornalístico, não publicaria um conteúdo qualquer, sem apuração. Segundo: basta ver o perfil de quem escreve para ver que ambas são jornalistas e cumpriram o seu papel.

Anúncios

»

  1. Eu também acho uma vergonha essa pataquada de empurrar cesariana pra cima da mulherada. Tendo passado pelo parto normal, acho um absurdo os médicos tirarem das muheres a possibilidade de passar por uma das experiências mais incríveis na vida de qualquer um (também do pai…).

    E aqui na Noruega eles dão anestesia, sim, mas só se a mãe quiser.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s