Até quando as empresas perderão excelentes profissionais por se tornarem mães?

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Até quando as empresas perderão excelentes profissionais por se tornarem mães?

Começo este texto com o exemplo de uma amiga, que deixou o trabalho recentemente para cuidar das filhas gêmeas. A escolha não foi motivada pelo simples desejo de exercer o papel de mãe. Diversos fatores a levaram tomar essa decisão: horário de creche não compatível com seu horário de trabalho (“até tem creche em período integral, mas a saída é às 16h. Com quem vou deixá-las até às 18h?”); problemas com babá; valores muito alto de escolinhas. Perguntei se conseguiu algum tipo de negociação com a empresa, alguma flexibilidade. Infelizmente não.

É indiscutível que o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho mudou ao longo do tempo. Trabalhar, muitas vezes, não é opção. É necessário para complementar a renda familiar. Por outro lado, realizar-se em alguma profissão, sentir-se produtiva, também fez com que elas “saíssem de casa”. De maneira geral, o que as mulheres desejam é conciliar os papéis de mãe e profissional. Mas essa não é uma tarefa simples.

Diversos estudos já mostraram que o número de filhos tem caído e que a maternidade tem sido cada vez mais tardia – seja por buscarem estabilidade financeira, seja para finalizar os estudos ou dar prioridade à carreira. Quando isso finalmente acontece, entra mais um item no planejamento: com quem deixar o(s) pequeno(s)?

A mudança em nível micro é bem mais fácil do que no macro. Ou seja, antes a mãe e a família se adequarem à nova realidade do que as empresas mexerem em suas estruturas para serem flexíveis. As iniciativas nesse sentido são poucas (talvez a percepção seja menor do que a realidade) e as mais conhecidas são de multinacionais, o que abrange um universo restrito. Vale destacar que algumas mudanças poderiam ser feitas englobando os homens. Por que não flexibilizar de maneira que eles também estejam mais disponíveis no cuidado dos filhos? (Neste caso, há ainda a necessidade de uma mudança de cultura maior e mais ampla).

Também já está comprovado que após o nascimento dos filhos, as mulheres se tornam mais produtivas, mais organizadas, sabem gerir melhor o tempo. Então, por que não tirar proveito disso? Como não é o que acaba não ocorrendo, é no empreendedorismo que as mulheres encontram a saída – até por se darem conta de que às vezes faltam opções ou simplesmente não existe algo de que necessitam. Uma rápida busca na internet sobre “mães empreendedoras” comprova o quanto essa tem sido a alternativa encontrada.

A mudança não virá de uma hora para a outra e ainda levará algum tempo até que este cenário seja diferente. De todo modo, constata-se aqui mais uma habilidade da mulher-mãe: a capacidade de se reinventar.

Enquanto isso, em Portugal: Ter filhos não merece castigo. Artigo publicado num jornal português faz referência à situação daquele país, mas pode muito bem ser aplicado à realidade brasileira.

Solução encontrada por quem se viu nessa situação: Coworking permite que pais e mães fiquem com filhos no trabalho.

Quem bom se a maioria pensasse assim: Empresárias do DF oferecem vagas para mães que estão desempregadas – por terem dificuldades de retornar ao mercado de trabalho depois da licença-maternidade, duas amigas abriram seu próprio negócio e hoje dão preferência para a contratação de mães; Grupo Pão de Açúcar quer levar mais executivas mães ao topo – as iniciativas em favor das mães devem se expandir gradativamente à toda empresa.

Se ainda é necessário mais algum argumento: Mulheres melhoram o desempenho no trabalho após ser mãe.

 

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