Arquivo do autor:gabrielasbr

Sobre gabrielasbr

Brazilian, mother, journalist and interior designer.

Adeus, lactose

Padrão
Adeus, lactose

Acabo de chegar de uma consulta com um otorrino, marido de uma amiga. Queria investigar o porquê de fortes dores que senti na testa algumas semanas atrás. Eu supunha se tratar de uma sinusite. Na época, cheguei a passar num pronto atendimento, mas a médica que me atendeu disse que não era nada e me receitou apenas um analgésico. No entanto, passei os dias seguintes com dores, fazendo inalação com soro fisiológico para aliviar os sintomas. Aquelas secreções definitivamente eram a constatação de que havia algo mais.

Ele nem precisou de um super exame para identificar a minha rinite. Conclusão: causa alérgica, já que o quadro não apareceu depois de uma gripe ou resfriado. Sendo alergia, segundo ele, não há muito o que fazer, a não ser controlar. Tratamento leve, com antialérgico, medicação em spray para o nariz e soro fisiológico (algo que anos atrás ouvi de um outro otorrino. Lembro de não ter ficado feliz em saber que precisaria de remédio a vida inteira para tratar isso).

*             *            *

Ontem foi dia de acompanhar meus pais na consulta da minha mãe com a nutróloga (sim, você leu certo e este parêntese é bem necessário. A nutrologia é uma especialidade médica que tem o foco de estudar a questão dos nutrientes – seja falta ou excesso deles – para o bom funcionamento do organismo. Quando você ouvir sobre Nutrologia Funcional ou Nutrição Funcional, como dizem, tem a ver com isso. Essa é uma explicação bem simples. O ideal é você ler mais aqui e aqui). Várias orientações passadas pela médica são bem vindas para qualquer pessoa que se preocupa com a saúde.

Como tudo acaba virando moda, essa história de “sem glúten”, “sem lactose”, “sem açúcar”, “fit” etc., me causava repulsa e eu não queria nem saber! Até encontrar explicações, justificativas e embasamentos científicos. Até entender, voltando láááá nas aulas de Biologia, o que acontece (ou deixa de acontecer) nas células e as consequências (sintomas) disso.

Lembrei de uma amiga que começou a seguir essa linha e trocamos algumas figurinhas. Bom, no meio da conversa (ou melhor, do áudio do Whats rs) ela falou que cortou a lactose e que nunca mais teve rinite ou sinusite (preciso confirmar quanto tempo faz isso e atualizar aqui depois 😉 ). A nutróloga já havia me alertado há alguns meses e eu não ouvi. Julguei ser impossível ficar sem leite. E, convenhamos, leite sem lactose parece desnatado e não tem a menor graça. Imagine! Eu. Sem leite? Eu, que sempre me intitulei como um bezerro? Num lanche da tarde, por exemplo, pão com manteiga e leite com café ou chocolate eram suficientes.

Mas, ah… sempre o mas! Voltei da consulta decidida a tentar. E este post é justamente para deixar registrado e me lembrar quando foi que optei por mudar.

Enquanto dirigia, fui fazendo a lista do que ficaria para trás: o leite, evidente; a manteiga, a margarina, o requeijão, o iogurte, o queijo (!!!), o chocolate (pelo menos os que gosto de comer), o sorvete (com exceção dos de fruta)… Não. Não será fácil. Também não serei totalmente radical. A mudança será aos poucos. Minha amiga disse para escolher um item para começar: lactose, açúcar, glúten ou qualquer outro. Depois de hoje, não restou dúvidas sobre qual seria.

Também não serei xiita para submeter meu marido e meu filho de 2 anos a isso. Não por enquanto. Eu quero comprovar os benefícios da mudança antes de fazer parte da rotina deles (apesar de que algumas coisas vão acabar indo de tabela). De todo modo, venho me esforçando para incentivar hábitos saudáveis aqui em casa. Afinal, é agora que o Davi vai aprender o que vai levar para o resto da vida. Mudar depois é bem mais complicado.

*          *         *

Como a minha despensa só está sendo notificada agora, o lanche da tarde foi uma vitamina de mamão com Neston e duas fatias de pão integral com margarina.

*          *         *

Não pretendo postar receitinhas e blá blá blás por aqui. Talvez em algum momento eu compartilhe como está sendo a experiência. Nessa internet, já tem bastante gente fazendo isso. Quando muito, replico algum material que achar interessante. =)

Não sei se quero um diploma

Padrão
Não sei se quero um diploma

Tudo começou quando perguntei para a moça que trabalha comigo: “E a faculdade? O que decidiu?”. Dias antes ela comentou que estava pensando em trancar o curso por questões financeiras e por “não estar mais a fim”.

Quanto à questão financeira, nem tenho o que discutir. Mas existem outros argumentos para a segunda parte da resposta; argumentos que fizeram o Tico e o Teco aqui dentro trabalharem bastante, fazendo conexões e costurando vários assuntos enquanto eu a ouvia.

Um dos motivos é a imaturidade das pessoas da sala. Ela não tem paciência para lidar com quem não está realmente interessado em aprender. Gente que só estuda ou lê algum texto porque “vai cair na prova” ou porque “vale nota”. “Pessoas rasas” como ela mesma disse, que estão ali por causa de “uma convenção social”, que é o diploma. E quando há chance de alguma aula ser mais profunda, não dá porque “as pessoas acham legal ‘tirar’ o professor”.

O sentimento que ela tem é de “jogar no lixo mil e poucos reais por mês”. O que gostaria mesmo era usar esse dinheiro para fazer outros cursos que realmente lhe interessam ou viajar o mundo. Não que desconsidere totalmente a faculdade, pois sabe que há coisas importantes acontecendo ali. Mas entende que poderia aprender bem mais e de outras maneiras. “Tem gente na faculdade com 60 anos. Se eu, com 30, entender que preciso, volto. Por que não?”. Ah! Ela tem 24 anos e, a meu ver, é um desses “pontinhos fora da curva” com quem eu tenho tido a satisfação de conviver.

Mas essa conversa me levou a fazer três considerações:

1. Vivemos num contexto em que tudo tem mudado rapidamente, exigindo nossa adaptação.

As novas tecnologias mudam comportamentos, mudam relações. O Uber está aí mostrando isso. Em São Paulo, as manifestações feitas pelos taxistas contra esse tipo de transporte não impediram a regulamentação do serviço na cidade. Pelo contrário. Abriu espaço para concorrência e outras empresas também se cadastraram na prefeitura. Como consequência, os motoristas de táxis agora estão buscando alternativas para continuar atraindo clientes.

Já a conversa que tive me fez pensar como as pessoas estão mudando e a forma como adquirem o conhecimento também. Você não precisa mais estar em uma sala de aula, por exemplo. Pode estar na sua casa mesmo. Há cada vez um número maior de cursos a distância, online, alguns pagos, outros tantos gratuitos e com professores de instituições renomadas. Eu mesma já aproveitei aulas da Berklee College of Music, referência na área musical.

A internet permite que você estude o que quiser, de onde quiser, na instituição que considerar mais adequada e seja o único responsável por construir sua grade de estudo. Sim, isto sai do convencional, muito. Ainda bem, porque a diversidade torna tudo mais rico. Porém, é preciso saber traduzir e aplicar este conhecimento. Assim, chegamos à consideração seguinte.

2. Há um desafio para as duas partes: pessoas saberem estruturar e mostrar que dominam o conhecimento adquirido de modo não convencional e as empresas estarem abertas a esse novo perfil de profissional. 

Ainda hoje existem empresas que só admitem candidatos formados pela universidade A ou B ou faculdades C, D e E, dependendo do curso. Quais as garantias de que estes profissionais são os melhores? Quem nunca ouviu “quem faz a faculdade é o aluno”? O diploma de uma determinada instituição não é garantia de um bom profissional. Assim como a ausência do documento não constata que a pessoa não se encaixa no perfil. Conheço pessoas não diplomadas que são excelentes profissionais. Inclusive, hoje ocupam cargos de diretoria.

3. As instituições de ensino também precisam se adaptar.

Se, de um lado estão os alunos que apenas querem um papel, um título ao final do curso, do outro estão aqueles realmente empenhados em aprender e saber mais. E este segundo grupo, tem o perfil de buscar a informação, questionar, não se contentar com pouco. Muitas vezes, esbarram em conteúdos superficiais, disciplinas que poderiam se aproximar mais do que o mercado exige.

Trabalhei por alguns anos em uma instituição de ensino e essa discussão não é nova. No entanto, elas são lentas em acompanhar o que as empresas demandam daqueles que estão em formação. Evidente que há exceções, mas em geral, suas estruturas e diversas instâncias fazem com que esse processo seja ainda mais devagar. Além disso, existem situações que envolvem o MEC (Ministério da Educação).

   *                     *                    *

Voltei daquele almoço com a cabeça borbulhando. Confesso que ainda fiquei alguns dias pensando no assunto. E, nesse caso, a prática tem se mostrado diferente da teoria ou do senso comum, pelo menos para mim. Jovens de 20 e poucos anos decididos, que sabem o que querem, aonde chegar e quais os meios necessários para alcançar seus objetivos. A diferença está na velocidade. Fazem tudo muito mais rápido.

Até quando as empresas perderão excelentes profissionais por se tornarem mães?

Padrão
Até quando as empresas perderão excelentes profissionais por se tornarem mães?

Começo este texto com o exemplo de uma amiga, que deixou o trabalho recentemente para cuidar das filhas gêmeas. A escolha não foi motivada pelo simples desejo de exercer o papel de mãe. Diversos fatores a levaram tomar essa decisão: horário de creche não compatível com seu horário de trabalho (“até tem creche em período integral, mas a saída é às 16h. Com quem vou deixá-las até às 18h?”); problemas com babá; valores muito alto de escolinhas. Perguntei se conseguiu algum tipo de negociação com a empresa, alguma flexibilidade. Infelizmente não.

É indiscutível que o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho mudou ao longo do tempo. Trabalhar, muitas vezes, não é opção. É necessário para complementar a renda familiar. Por outro lado, realizar-se em alguma profissão, sentir-se produtiva, também fez com que elas “saíssem de casa”. De maneira geral, o que as mulheres desejam é conciliar os papéis de mãe e profissional. Mas essa não é uma tarefa simples.

Diversos estudos já mostraram que o número de filhos tem caído e que a maternidade tem sido cada vez mais tardia – seja por buscarem estabilidade financeira, seja para finalizar os estudos ou dar prioridade à carreira. Quando isso finalmente acontece, entra mais um item no planejamento: com quem deixar o(s) pequeno(s)?

A mudança em nível micro é bem mais fácil do que no macro. Ou seja, antes a mãe e a família se adequarem à nova realidade do que as empresas mexerem em suas estruturas para serem flexíveis. As iniciativas nesse sentido são poucas (talvez a percepção seja menor do que a realidade) e as mais conhecidas são de multinacionais, o que abrange um universo restrito. Vale destacar que algumas mudanças poderiam ser feitas englobando os homens. Por que não flexibilizar de maneira que eles também estejam mais disponíveis no cuidado dos filhos? (Neste caso, há ainda a necessidade de uma mudança de cultura maior e mais ampla).

Também já está comprovado que após o nascimento dos filhos, as mulheres se tornam mais produtivas, mais organizadas, sabem gerir melhor o tempo. Então, por que não tirar proveito disso? Como não é o que acaba não ocorrendo, é no empreendedorismo que as mulheres encontram a saída – até por se darem conta de que às vezes faltam opções ou simplesmente não existe algo de que necessitam. Uma rápida busca na internet sobre “mães empreendedoras” comprova o quanto essa tem sido a alternativa encontrada.

A mudança não virá de uma hora para a outra e ainda levará algum tempo até que este cenário seja diferente. De todo modo, constata-se aqui mais uma habilidade da mulher-mãe: a capacidade de se reinventar.

Enquanto isso, em Portugal: Ter filhos não merece castigo. Artigo publicado num jornal português faz referência à situação daquele país, mas pode muito bem ser aplicado à realidade brasileira.

Solução encontrada por quem se viu nessa situação: Coworking permite que pais e mães fiquem com filhos no trabalho.

Quem bom se a maioria pensasse assim: Empresárias do DF oferecem vagas para mães que estão desempregadas – por terem dificuldades de retornar ao mercado de trabalho depois da licença-maternidade, duas amigas abriram seu próprio negócio e hoje dão preferência para a contratação de mães; Grupo Pão de Açúcar quer levar mais executivas mães ao topo – as iniciativas em favor das mães devem se expandir gradativamente à toda empresa.

Se ainda é necessário mais algum argumento: Mulheres melhoram o desempenho no trabalho após ser mãe.

 

Obrigada, Geração Z

Padrão

puzzle-1419493-640x480

Meus amigos psicólogos e todos os outros da área de Humanas hão de concordar: pessoas são fascinantes! E como é interessante olhar para os outros e para si mesmo! Nos últimos anos, estudei e tenho trabalhado com pessoas mais novas. Seis, sete, dez anos de diferença. Às vezes, me sinto na posição dos meus pais: absolutamente perdida em meio a expressões e “trocentos”nomes de youtubers, por exemplo. A cada nova citação, já nem pergunto mais. Não conheço. Para mim, são todos “X”.

Mas, como todo bom jornalista, a observação e as conexões acontecem o tempo todo. Um tempo atrás, diversas matérias e textos (para minha surpresa, numa rápida busca para conferir quanto tempo, vi que o assunto ainda é bastante abordado) falavam sobre a Geração Y. Outros tantos, vieram a reboque sobre a Z. E é justamente com esta que tenho lidado.

Sim, a convivência me mostra que é verdade o quanto os “Zs” são ansiosos, impacientes e querem tudo muito rápido, para ontem. Querem crescer rápido na carreira. Estão sempre conectados, usando todas as plataformas possíveis para “falar com o mundo”.

Não foi uma ou duas vezes que ouvi: “mas eu estou velho/a”, “eu tenho pressa”, “quero/tenho que resolver logo”, “estou perdendo tempo”. Velho? E eu? Que tenho dez, 12 anos de diferença? Pressa? De quê? Resolver logo por quê? Por que perdendo tempo? Até hoje nenhum deles soube me responder. Até hoje.

Nem sei muito bem como a conversa começou, mas, no almoço, me disseram o que tanto queria saber. A explicação é plausível. As referências que eles têm. “Meu amigo tem 25 anos e já é gerente. E eu?”.

Algumas das pessoas com quem convivem tiveram uma ascensão profissional bem rápida (até demais, eu diria). O que pondero é que, mesmo com tanta urgência, existem etapas que precisam ser cumpridas. Não é possível pensar apenas lá na frente. Há um processo para acontecer. O fim é importante, mas, no meu entender, o meio é ainda mais. E me preocupa pensar nesse profissional. Em muitos casos, a competência técnica é excelente, mas a emocional/comportamental está muito aquém. Fico pensando, não apenas que tipo de profissionais, mas que pessoas esses jovens são e serão (essa minha reflexão está ainda mais acentuada por causa do livro que estou lendo “Pais inteligentes formam sucessores, não herdeiros“, do Augusto Cury. Aliás, leitura mais do que recomendada, mesmo para quem não tem ou não pretende ter filhos).

Por outro lado, parte deles, não “têm informações de três linhas”, como ouvi de um professor da Universidade em que eu trabalhava, em referência às discussões rasas que aconteciam em sala de aula. Alguns dos que conheço são extremamente inteligentes e maduros. Sabem discutir, têm argumentos, boas ideias, sabem se expressar. Sim, chego a me surpreender com algumas posturas e colocações. O que me deixa muito feliz! Isso me permite aprender e a enxergar situações sob um ponto de vista completamente diferente.

Você não sabia até chegar aqui. Mas publicar este texto, neste espaço, não foi à toa. Já é parte desse aprendizado. Obrigado, Geração Z.

O nada

Padrão

Hoje é um daqueles típicos dias pós Natal: nada para fazer. Como já acontece há alguns anos, estou na casa da minha sogra. E tudo fica ainda mais diferente quando se tem um filho de um ano e pouco. Mas ele ainda dorme. O marido também. A sogra faz sei-lá-o-quê. E eu aqui. Sentada no sofá, vendo canais que não tenho na minha casa, com os pés para cima.

Vendo é modo de dizer. Desde que casei, há quase sete anos (já!), minhas rotinas são mais intensas, cheias de coisas para fazer, me preocupar, me ocupar. Bom, nem preciso dizer que isso se intensifica com a chegada de uma criança. Passei por vários canais, até com filmes que eu gostaria de rever, mas não consegui parar neles. Parei em um que mostra famílias no momento do nascimento dos filhos, mas estou aqui a digitar estes pensamentos no celular.

Não sei quando foi a ultima vez que assisti um filme. Uma vez que o Davi dormiu mais cedo, tentei e não consegui. Fiquei agoniada com a sensação de ficar ali, sentada, parada, sem fazer nada. Pior é que essa sensação se repete agora.

Pensei em lavar as roupas dele. Mas não vão secar assim que eu voltar para a casa da minha avó depois do almoço. Quis deixar as nossas coisas arrumadas para a hora de sair, mas ele está dormindo ainda. Pensei em ajudar com o almoço, mas a minha sogra esta fazendo outra coisa.

Sei que às vezes não fazer nada é bom. Mas quando se faz muito, é estranho não fazer nada. Sensação de improdutividade, de desperdício de tempo.

É… mal deu para ficar pensando nisso. Davi acordou.

PS.: Escrevi este texto no sábado e só hoje, terça-feira, é que consegui postar, adivinhem?, enquanto ele dorme.

Aonde é que foi parar o meu Natal?

Padrão

Revisar o texto de uma amiga sobre o Natal fez com que eu me desse conta de uma triste constatação: não vivo mais esse clima natalino, de festas de final de ano. E fiquei pensando aonde foi que isso se perdeu…

Quando criança, era sempre meu pai que comprava a árvore e pegava os enfeites para montarmos. Ele sempre comprava daquela de galhos espetados e que eu nunca gostei. Preferia aquele pinheirinho cheio, com a parte de baixo mais gorda, afinando na ponta. Nunca disse isso a ele. É… acho que agora ele vai ficar sabendo… rs

Essa época do ano era muito aguardada, porque chegavam as férias e eu não via a hora de ir pro interior, aproveitar meus primos e meus avós. Aliás, enquanto meus pais ainda trabalhavam, eles vinham buscar meu irmão e eu. Numa dessa vezes, fizemos a viagem de trem. Levou o dobro do tempo do ônibus (8 horas!), mas a experiência foi inesquecível! E única. Os trens agora são só de carga…

Lá, lembro de ir com uma das minhas tias fazer a compra para a ceia. Carrinho cheio, supermercado mais ainda! Em outro dia, a saga de achar um sapato que não ficasse largo no pé fino de uma das primas ou que não pegasse no bendito ossinho! hahaha E assim ia curtindo cada dia que antecedia o Natal.

Mas o tempo passou. Minhas férias escolares acabaram porque já não tinha mais colégio. Era para a “facul” que eu ia e logo comecei a trabalhar. Assim, a ida para o interior foi ficando cada vez mais próxima do dia 25.

E o tempo passou mais um pouco. E eu casei. E a vida mudou. As férias passaram a seguir o calendário do trabalho e a data da viagem dependia da disponibilidade do marido também. A vida ficou mais corrida. “Meu! Já tem panetone no mercado e pisca-pisca nos prédios e nas casas!”. O ano voou! De novo.

Olho para a minha sacada e cadê a minha luzinha? Olho ao redor e não tem um enfeite sequer. Mas tem o meu filho de um ano e pouco brincando e correndo pela sala. Por mais que eu o ensine no dia a dia sobre Jesus (afinal não é só nessa data que Ele deve ser lembrado, mas a cada instante), ele não pode deixar de comemorar o aniversário da pessoa mais importante das nossas vidas! É… Se aquele sentimento gostoso se perdeu em algum lugar lá atrás, está mais do que na hora de reencontrá-lo.

foto (1)

E isso é tudo o que tenho na minha casa: um enfeite de porta, dado há alguns anos pelo meu pai 

Ser mãe ou ser profissional?

Padrão

Infelizmente não tenho tido muito tempo para o blog. Aliás, para várias outras coisas! As mães de crianças pequenas me entenderão. E é durante as dormidas da tarde do Davi que eu consigo fazer algo.

As abas aqui do navegador já ficam abertas para eu dar uma rápida lida nas notícias. Hoje os dedos coçaram para comentar esse post aqui, da Rita Lisauskas, do blog “Ser mãe é padecer na internet”.

Ela comenta sobre o dia em que saiu de casa logo cedo, antes do filho acordar e que só o viu à noite, quase na hora de dizer boa noite sem sequer ter dado um beijo de bom dia. E que é justamente a vontade de querer estar mais perto dos filhos que tem feito muitas mulheres mudarem de profissão ou partirem para o empreendedorismo. Elas não querem trabalhar e trabalhar e não ter tempo para a família. Sim, muitas querem e estão indo atrás de qualidade de vida.

Há pouco mais de 3 meses saí de onde trabalhava (por decisão da empresa) e tenho experimentado uma fase maravilhosa em casa, com meu filho de 1 ano! Entre outras coisas, pude ver mais do que seus primeiros passos! Acompanhei de pertinho quando ele se soltou de vez pela casa! Ao contrário de algumas mães que conheço, este momento é passageiro. A necessidade vai me fazer voltar ao trabalho.

Mas o que eu quero mesmo dizer é que faço parte desse grupo de mães que quer estar mais com a família. Tanto que, depois de 10 anos de formada, criei coragem e fiz uma segunda faculdade, de Design de Interiores, justamente para ter a liberdade de fazer os meus horários e não ser consumida por empresa alguma. Sei de quem atua nessa área e trabalha horrores, mas é algo que me permite escolhas. Quando se tem carteira assinada, horário de entrada e de saída (às vezes ou apenas no papel), você TEM QUE cumprir o que lhe cabe. “Não” nem sempre é uma palavra que existe no vocabulário corporativo…

Por outro lado, jornadas de meio período, home office ou jornadas flexíveis seriam uma boa solução: as empresas não perderiam excelentes profissionais que abrem mão das carreiras após a maternidade e as mães continuariam se realizando em seus trabalhos. A segunda e terceira opção praticamente só existem em multinacionais. Já a primeira… Numa rápida pesquisa, só encontrei vagas de telemarketing.

Como disse a Rita, depois de ler a seguinte frase no Facebook: “‘Preciso trabalhar como se não tivesse filhos e ser mãe como se não trabalhasse fora.’ Essa conta não fecha, nunca vai fechar”. A não ser que se parta para o empreendedorismo, como muitas vêm fazendo – uma ideia que não sai do radar.

PS.: Finalizo este post ouvindo os passinhos de alguém que acabou de acordar =)

davi-mae-profissional

Assistindo TV à tarde com uma das minhas melhores companhias