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Ser mãe ou ser profissional?

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Infelizmente não tenho tido muito tempo para o blog. Aliás, para várias outras coisas! As mães de crianças pequenas me entenderão. E é durante as dormidas da tarde do Davi que eu consigo fazer algo.

As abas aqui do navegador já ficam abertas para eu dar uma rápida lida nas notícias. Hoje os dedos coçaram para comentar esse post aqui, da Rita Lisauskas, do blog “Ser mãe é padecer na internet”.

Ela comenta sobre o dia em que saiu de casa logo cedo, antes do filho acordar e que só o viu à noite, quase na hora de dizer boa noite sem sequer ter dado um beijo de bom dia. E que é justamente a vontade de querer estar mais perto dos filhos que tem feito muitas mulheres mudarem de profissão ou partirem para o empreendedorismo. Elas não querem trabalhar e trabalhar e não ter tempo para a família. Sim, muitas querem e estão indo atrás de qualidade de vida.

Há pouco mais de 3 meses saí de onde trabalhava (por decisão da empresa) e tenho experimentado uma fase maravilhosa em casa, com meu filho de 1 ano! Entre outras coisas, pude ver mais do que seus primeiros passos! Acompanhei de pertinho quando ele se soltou de vez pela casa! Ao contrário de algumas mães que conheço, este momento é passageiro. A necessidade vai me fazer voltar ao trabalho.

Mas o que eu quero mesmo dizer é que faço parte desse grupo de mães que quer estar mais com a família. Tanto que, depois de 10 anos de formada, criei coragem e fiz uma segunda faculdade, de Design de Interiores, justamente para ter a liberdade de fazer os meus horários e não ser consumida por empresa alguma. Sei de quem atua nessa área e trabalha horrores, mas é algo que me permite escolhas. Quando se tem carteira assinada, horário de entrada e de saída (às vezes ou apenas no papel), você TEM QUE cumprir o que lhe cabe. “Não” nem sempre é uma palavra que existe no vocabulário corporativo…

Por outro lado, jornadas de meio período, home office ou jornadas flexíveis seriam uma boa solução: as empresas não perderiam excelentes profissionais que abrem mão das carreiras após a maternidade e as mães continuariam se realizando em seus trabalhos. A segunda e terceira opção praticamente só existem em multinacionais. Já a primeira… Numa rápida pesquisa, só encontrei vagas de telemarketing.

Como disse a Rita, depois de ler a seguinte frase no Facebook: “‘Preciso trabalhar como se não tivesse filhos e ser mãe como se não trabalhasse fora.’ Essa conta não fecha, nunca vai fechar”. A não ser que se parta para o empreendedorismo, como muitas vêm fazendo – uma ideia que não sai do radar.

PS.: Finalizo este post ouvindo os passinhos de alguém que acabou de acordar =)

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Assistindo TV à tarde com uma das minhas melhores companhias

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Aprendendo a ser mãe

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E hoje completa um mês que o Davi nasceu. Um mês que também nasceu uma mãe.

Ter filhos sempre foi um sonho, que só aumentava a cada bebê que eu via. Mas, por trás de crianças felizes, sorridentes ou mesmo daquelas que dormem feito anjinhos, há muita coisa que eu não sabia…

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Sempre fui tranquila e a gestação não foi diferente. Aliás, foi tão tranquila que meu marido não me reconhecia! Rs

O parto não foi como o que sonhei e planejei (“Muitos são os planos no coração do homem; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá”. Provérbios 19:21). Pretendia um parto humanizado, sem intervenções, numa casa de parto, com a presença do meu marido e de uma doula. Mas não foi assim que aconteceu.

Aguardamos o máximo possível, mas não entrei em trabalho de parto. Acabou sendo cesárea e, apesar de tudo, não fiquei frustrada. Tudo, o tempo todo, desde antes de engravidar estava nas mãos de Deus. Além disso, a cesárea não foi simplesmente agendada, para comodidade do medico e minha também – uma atitude adotada pela maioria e que não concordo. Sugiro que assistam “O renascimento do parto” e busquem informações sobre parto humanizado. Dá para começar por aqui 😉

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Nas últimas semanas enquanto esperava o início do trabalho de parto, tive um momento muito (muito!) introspectivo. Não tinha vontade de responder as inúmeras mensagens que chegavam pelo whatsapp, sms ou Facebook – apesar de saber que eram amigos e familiares, demonstrando carinho, interessados em saber se estávamos bem (desculpe se você foi uma dessas pessoas). Depois que o Davi nasceu, continuei não querendo saber de ninguém. Era um tempo nosso, em que eu queria apenas a família por perto, principalmente na maternidade. Agora, um mês depois é que começo a sair mais da concha.

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Durante a gravidez, a gente vai se acostumando com as mudanças pelas quais o nosso corpo passa, mas quando o bebê nasce, elas são repentinas. Não tem mais o peso, muda o equilíbrio, parece que está todo solto dentro de você e andar se torna algo muito estranho no começo. Sem contar as mudanças hormonais e uma hiper sensibilidade que você não sabe de onde vem. Por isso tudo e mais, a mãe que acabou de nascer precisa de tanto cuidado, carinho e atenção quanto o bebê.

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Uma vez em casa, veio o medo, a insegurança… E agora? Dou conta? O apoio da maternidade ficou para trás. Como saber se o choro é de fome ou de sede? Ou sono? E se é cólica? Se for, como fazer para passar? Aquele choro doído, aqueles olhinhos suplicantes, pedindo “mãe, me ajuda, por favor!”, chegaram a me fazer chorar também – de desespero, de não saber o que fazer; de estar a madrugada toda acordada ou literalmente “virada” de um dia para o outro. Nessas horas, ter o apoio do marido/pai é tudo – embora ele também tenha tido um momento de jogar a toalha. Mas também somos muito gratos a alguns amigos que nos ajudaram a recuperar a calma e voltar para o eixo.

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Duas lições importantes, muito bem aprendidas:

1. Manter a calma sempre. Mesmo adultos há momentos em que a nossa mãe é tudo o que queremos. Imagine para uma criança que acabou de nascer. Se a mãe não pode ajudar, “ferrou”! A pediatra disse que “os bebês são esponjinhas. Percebem tudo. Se você estiver agitada, pode dar cólica”. Não foi bem o que aconteceu, mas já pude constatar que ele percebe mesmo quando  as coisas estão fora do normal.

2. Seguir meus instintos. Hoje há muita informação disponível para tudo, assim como diversas pessoas próximas têm suas experiências para compartilhar. É tanta coisa, que você simplesmente não consegue ouvir a sua própria voz interior. Por isso, muitas vezes, um “que se dane” é a melhor resposta. Significa que o seu instinto falou mais alto.

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Como disse uma amiga, “ser mãe é desafiador, mas muito recompensador”. Ela tem razão. Não há nada neste mundo que se compare àquele olhar intenso,  meio de canto, durante uma mamada; ou àquele sorrisinho fofo que surge de repente enquanto conversamos.

É… aos 32 anos, eu achava que estava pronta para ser mãe. Na verdade, a conclusão é que eu não estava e, conversando com amigas que desfrutam do prazer, das alegrias e dificuldades (sim, isso também) da maternidade, concordam que, no fundo, ninguém está. Só posso dizer que este primeiro mês até pode ter sido difícil, mas certamente foi um dos mais felizes da minha vida.

davieeu